Escolhi o artigo Design-Based Research: An Emerging Paradigm for Educational Inquiry.

Após leitura e tendo como orientação as questões colocadas pelo professor, permitiu aprofundar a análise desse artigo com mais rigor.

Questão a) Quais os aspectos mais inovadores da abordagem apresentada?

A DBR (Design Based Research) mistura a pesquisa educacional empírica com a teoria de design(concepção) de ambientes de aprendizagem. É uma metodologia importante para compreender como, quando e porquê as inovações educacionais funcionam na prática.

Pode ajudar a criar e a ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento, articulação e a sustentação de ambientes de aprendizagem inovadores.

Para uma boa DBR, são propostas, a verificação de, cinco características:

1- Os objectivos centrais do design de ambientes de aprendizagem e teorias de desenvolvimento ou “prototeorias” (prototheories) de aprendizagem são cruzados

2- O desenvolvimento e a pesquisa acontecem em ciclos contínuos de design, auscultação, análise e redesenho (Cobb, 2001; Collins, 1992)

3- A pesquisa nos designs deve levar a teorias de partilha que ajudem a comunicar implicações relevantes aos praticantes e outros designers educacionais

4- A pesquisa deve ter em conta como os designers funcionam em cenários autênticos. Não deve documentar, somente, sucessos ou insucessos, mas focar-se em interacções que melhorem a compreensão sobre questões que envolvem a aprendizagem.

5- O desenvolvimento dessas situações depende de métodos que documentem e liguem processos de implementação de resultados de interesse.

As inovações da DBR sustentam-se em teorias específicas sobre o ensino-aprendizagem que ajudam a a entender as relações entre a teoria educacional, o artefacto planeado e a prática.

Em continuidade no forum (*):

Na sequência de leituras sobre a ampla temática de DBR que a meu ver é inovadora e de utilidade, ainda esteja condicionado a necessidades como os recursos de vários tipos (materiais e humanos) e pelo factor tempo.

A pesquisa baseada no Design, mais precisamente a pesquisa em ambientes educacionais tem sido, historicamente, conduzida por dois grandes objectivos:

1 – compreender como as pessoas aprendem, sobretudo em contextos escolares

2 – conceber formas que garantam que a aprendizagem aconteça nesses ambientes.

E não será isto o que se pretende educacionalmente?

Questão b) De que forma se relaciona com as abordagens tradicionais descritivo/qualitativo e/ou experimental/quantitativo?

Relações entre DBR e as outras metodologias:

O facto da DBR se basear no estudo dentro dos contextos ou de ligar processos aprovados com os resultados como tendo grande potencial para gerar conhecimento, significa que podem levar a melhorar as teorias de aprendizagem. É neste sentido que a DBR difere da pesquisa de avaliação na forma como o contexto e as intervenções são problematizadas.

Na avaliação tradicional, uma “ intervenção” (programa instrucional, um livro ou uma política) é avaliada de acordo com conjuntos de normas (Worthen, Sanders e Fitzpatrick, 1996).

Durante a avaliação formativa os ciclos iteractivos de desenvolvimento, implementação e estudo permitem ao designer angariar informação sobre o modo como uma intervenção pode conduzir a um melhor design. Depois esta intervenção é “congelada” e uma avaliação sumativa é iniciada. Os avaliadores podem conceptualizar o contexto como um conjunto de factores independentes da própria intervenção mas que podem ter influência nas suas características.

A DBR usa métodos mistos, à semelhança da avaliação formativa, que analizam os resultados das intervenções.

Contrastando com a pesquisa de avaliação, a DBR identifica uma inovação de sucesso como um produto conjunto de intervenções concebidas e do contexto.

A DBR vai além do aperfeiçoamento de determinado produto e a sua intenção é de questionar mais amplamente a natureza de aprendizagem como um sistema complexo e refinar teorias generativas ou preditivas de aprendizagem.

E em continuidade no forum (*):

A experimentação de projectos é olhada como um campo emergente.

Nos últimos anos, um novo paradigma surgiu para se transformar em pesquisa teórica de cenários realistas de aprendizagem. O Design de experimentação é uma abordagem inter-disciplinar que reconhece a vertente da aplicabilidade da pesquisa educacional. Dentro desta abordagem, os investigadores que trabalham em parceria com os educadores procuram refinar teorias da aprendizagem concebendo, estudando, e refinando inovações baseadas nas teoria em ambientes reais de sala de aula.

A experimentação de um projecto reflecte uma série de práticas e metodologias que são desenhados a partir de uma variedade de disciplinas. No entanto, a ampla gama de métodos, exigências, posturas teóricas e tradições intelectuais tornam extremamente difícil articular exactamente o que é a experimentação de design e como este pode avançar como um campo de estudo coerente.

Questão c) Que dificuldades antecipam na sua implementação?

Na continuidade de análise do artigo artigo disponivel em http://www.designbasedresearch.org/reppubs/DBRC2003.pdf .

Os desafios enfrentados pelos métodos de DBR, passam pela necessidade de objectividade, confiança e validade que são geridos de modo diferente do verificado em experiências controladas.

Baseia-se em técnicas usadas noutros paradigmas de investigação como conjuntos de dados muito descritivos, análise sistemática de dados com medidas cuidadosamente definidas e na criação de consenso em campo sustentados por interpretações de dados.

Por tentar promover a objectividade na facilitação de intervenção, desempenham por vezes papeis intelectuais duplos de ” advogados” e de “críticos”.

Os métodos que documentam processos de actuação fornecem evidências criticas no estabelecimento de garantias sobre resultados ocorridos. As complicações surgem da intervenção sustentada em ambientes desorganizados. Uma única intervenção complexa pode envolver muitos recursos (materiais e humanos) no intuito de promover uma prática inovadora. Nestas situações pode ser difícil decifrar e desambiguar porque nem todos os factores poder se prosseguidos, os fenómenos emergentes podem levar a novas linhas de investigação, etc.

A fiabilidade de conclusões e medidas pode ser promovida através de múltiplas fontes, de repetição de análises, entre outros aspectos.

Um desafio logístico envolve a manutenção de parcerias colaborativas produtivas no contexto de investigação.

Outro alternativa é o desenvolvimento de trajectórias flexíveis de investigação que contemplem os objectivos duplos na refinação de inovações valiosas e desenvolver o conhecimento mais global passível de utilizar na prática.

Devem, ainda, assegurar que a geração de conhecimento utilizável sobre práticas educacionais não conduzam a problemas educacionais mais complexos.

E em continuidade, no forum (*):

Na continuidade do que os colegas aqui já apresentaram, incluindo a minha leitura e análise sobre o artigo “Design-Based Research: An Emerging Paradigm for Educational Inquiry”, gostaria de acrescentar quanto a possiveis vantagens resultantes da implementação de DBR.

De acordo com o colectivo da DBR, da Spencer Foundation, e de forma muito sucinta: Na perseguição, em paralelo, dos objectivos em compreender como se aprende e como conceber formas para que a aprendizagem ocorra em ambientes escolares, são encontrados desafios importantes. No entanto, esse trabalho pode render recompensas significativas, como na rápida refinação de espaços de aprendizagem em resposta à investigação em curso.

Penso que este tipo de experimentação revoluciona a vertente demonstrativa-teórica de muito do conhecimento existente e sustentado por teorias amplamente enraizadas. Dir-se-ía que além dos factores como o consumo de recursos vários, estamos perante aspectos relacionados com a resistência à mudança?

Questão d) Quais as principais implicações/conclusões?

O valor da DBR deve ser medido pela sua capacidade em melhorar a prática educacional.

Algumas áreas promissoras, decorrentes da DBR:

a) Exploração de possibilidades para enredos de aprendizagem e ambientes de ensino

b) Desenvolvimento de teorias contextuais de ensino-aprendizagem

c) Construção e consolidação de conhecimento de design

d) Aumento de capacidade humana para a inovação educacional

Como principais conclusões destaca-se que:

-Os métodos de DBR podem compor metodologias coerentes que liguem investigação teórica e a prática educacional.

-A visão simultânea da concepção de uma intervenção e a sua actuação especifica como objectos de investigação pode produzir explicações robustas de práticas inovadoras e que providenciem princípios úteis a outros.

-Devido às suas características de contextualização e globalizadoras podem providenciar compreensão de características sobre o ensino e a educação, pode ser transformada em aprendizagem efectiva em contextos educativos.

Em continuidade (*):

Retomando ao Colectivo de DBR da Spencer Foundation.

Se a experimentação do projecto é desenvolver um campo viável e robusto, os seus praticantes devem chegar a acordo sobre a natureza e o alcance da experimentação de projecto, desenvolvendo práticas e métodos partilhados que permitam:

1- construir e partilhar resultados sobre a investigação de outros

2- partilhar resultados de modo a que contribuam para a teoria e a prática

3- contribuir de forma significativa sobre os modos como as pessoas aprendem em contextos variados.

Realmente a investigação, pesquisa no “campo” pode ser dispendiosa, mas trabalhar “in loco” pode conduzir a resultados (qualitativos e quantitativos)deveras interessantes…

(*)http://www.designbasedresearch.org/dbr.html        

Outro artigo que considerei de relevo nas minhas pesquisas e para mais esclarecimento sobre os conceitos de DBR foi  “Design-based research ans tecnology-enhanced learning environments (http://utcrowdsourcing.ideascale.com/a/dtd/108969-12279).