Este tema é dedicado a procurar identificar paradigmas e métodos de investigação em Educação, a definir as etapas do processo investigativo e a traçar as características de um relatório de investigação.

Como inicio…“A noção de paradigma é normalmente utilizada para estabelecer uma diferenciação entre dois momentos ou dois níveis do processo de conhecimento científico (Kuhn, 1989; Capra, 1982). “¹. Ainda de acordo com o referido, um paradigma prevalece e será conceptualizado  por determinado modelo cientifico enquanto este servir para estudar e dar resposta  com suporte científico, o que significa que poderá ser substituído por outro modelo que permita a construção de  conhecimento  específico e de forma neutra ou não tendenciosa.

“A co-existência de paradigmas não será factor a desprezar, dado não existirem barreiras intransponíveis entre eles”, e pela pesquisas que fiz, penso que se em determinado momento, o referido modelo predominante deixar de produzir significado com o que é pretendido, então, o paradigma deve ser substituído por outro modelo científico que se ajuste à realidade. Também pode suceder que dois paradigmas disputem o espaço de construção do conhecimento, complementando-se cientificamente.

Foram analisados em forum, alguns aspectos, que estão desenvolvidos, abaixo.

1-Paradigmas em que se pode inserir a investigação educacional: Positivista/normativo;Interpretativo; Crítico.

2- Metodologias de Investigação: Quantitativa; Qualitativa.

3- Métodos que se podem definir em investigação educacional: Abordagem biográfica; estudo de caso; abordagem etnográfica; investigação-acção.

4- Caracterização de um estudo de caso em investigação:

“O estudo de caso consiste na observação detalhada de um contexto ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico” (Merriam, 1988).

“Os estudos de caso têm em comum uma certa dedicação ao conhecimento e descrição do ideossincrático e específico como legítimo em si mesmo” (Walker, 1993).

“ O estudo de caso é o exame de um exemplo em acção, ou seja,

  • a tentativa de compreensão (que pode ser interpretativa, explicativa, descritiva e/ou exploratória)(exame);
  • de uma unidade individual de estudo (acontecimento, indidíduo, organização, grupo, etc.) (exemplo);
  • que se identifique pelo seu carácter interactivo e psicossocial (acção).  “

                                                                     (Walker, 1983)

5- Fases da metodologia de investigação:

Fases na definiçao de um problema e de um modelo
Fases Caracterização Estratégias
1-  Definição do problema Identificar e descreverEstabelecer relaçõesApreciar pertinênciaPrecisar o objectivo Teoria existenteObservação directaInvestigação anterioresProblemas anteriores
2-  Revisão bibliográfica Situar o problemaConsulta a base de dadosPrecisar a metodologia Debates, especialistasSínteres temáticas
3-  Formulação das hipóteses Definir a hipótese experimental, a hipótese nula e as hipóteses alternativas Possíveis explicaçoes a testar para os dados que se venham a obter
4-  Definição das variáveis Identificar as unidades a observar e a controlarDefinir os papéis das variáveisPrecisar a medida das variáveis Especificar o que se quer controlarEspecificar as relações, as influências e o seu sentidoIndicar as escalas de medida a usar por variável

(Almeida, L., e Freire, T. 2000)

6- Características de um bom problema de investigação:

(…) uma investigação científica que investiga um fenómeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenómeno e o contexto não estão claramente definidos; enfrenta uma situação tecnicamente única em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados e, como resultado, baseia-se em várias fontes de evidência (…) e beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a colecta e análise dos dados. (YIN, 23001, p. 32-33).

7- Etapas a percorrer num processo de investigação:

     1. Formulação do problema: que questões vamos fazer, quais os objectivos a atingir

     2. Definir a metodologia a utilizar: como fazer o estudo, que dados, procurar, onde e quando os vou recolher, quem os vai recolher, quais as técnicas a utilizar.

     3. Trabalho de recolha de dados: consiste em fazer os questionários, as entrevistas, observar, ler documentos.

     4. Análise dos dados: temos que organizá-los, analisá-los (quadros, gráficos)

     5. Conclusão: concluir a partir dos resultados da análise dos dados

     6. Redacção: apresentar o trabalho através de um relatório escrito

                ——–  ”  ——–

Após leitura, discussão em equipa, construímos um fluxograma do que consideramos constituir as etapas principais de um trabalho de investigação na educação.

Fluxograma construído pela equipa Corto Maltese:

Resumo individual, após análise dos fluxogramas apresentados:

Segundo Quivy e Campenhoundt (1992), o processo de investigação divide-se em 3 fases onde se situam as etapas de investigação.

À semelhança do que consultei noutros artigos, as etapas consideradas devem ser abrangentes onde se situarão sub-etapas obrigatórias ou de opção, de acordo com a situação considerada e o paradigma associado. O fluxograma deve representar as fases principais de um processo de investigação que se ajuste a qualquer um dos paradigmas considerados.

Relativamente aos trabalhos apresentados por cada um dos grupos, da turma, com mais ou menos exploração de etapas ou pormenor, tarefas e fluxos de informação, fico com a ideia que, e independente da metodologia de representação do referido diagrama, deve haver consenso sobre as etapas principais ou mais abrangentes como modo de consolidar o estudo e avançar para a  sua exequibilidade.

Recursos, além dos disponibilizados na uc:

¹ http://www.sul-sc.com.br/afolha/pag/paradigma.htm  

http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi1/Etapas%20do%20Processo%20de%20Investigacao.pdf

https://woc.uc.pt/fluc/getFile.do?tipo=2&id=1576