Métodos e instrumentos de reolha de dados

A recolha de dados é um  procedimento lógico da investigação empírica ao qual compete seleccionar técnicas de recolha e tratamento da informação adequadas, bem como controlar a sua utilização para os fins especicados. As técnicas são conjuntos de procedimentos bem definidos destinados a produzir certos resultados na recolha e tratamento da informação requerida pela actividade de pesquisa (inqnuérito por questionário, entrevista, teste, documentos, entre outros).Esta actividade centra-se nos:

  

Na sequência do que se iniciou no forum e porque não se esgota o que se pode explorar sobre o tema, enfatizo algumas das abordagens feitas pelos colegas e acrescento um pouco mais do ponto de vista conceptual estatístico.

Métodos Quantitativos

Em estatística, os métodos quantitativos são métodos de pesquisa com características específicas de acordo com a definição da problemática a estudar e consequente especificação de hipóteses a testar, a especificação da metodologia a seguir para a recolha (inquéritos por questionário, observação directa, documental, entre outros), caracterização da amostra, aplicação da metodologia de recolha e análise desses dados, interpretação e integração dos resultados de acordo com as hipóteses e problemática.

A estatística aplicada a diferentes situações de estudo e de recolha quantitativa de dados, inclui os métodos de amostragem ou técnicas que possibilitam realizar pesquisas em universos ou espaços de amostragem (recolha de informação) não finitos onde não é possível que o estudo abranja todos os elementos.

Mesmo em caso de populações finitas pode ser aplicado o estudo por amostragem pela rapidez dos resultados e pelos custos não considerados elevados. Esta teoria pode ser útil para determinar se diferenças observadas entre duas amostras são casuais ou se são significativas e passíveis de considerar como padrão.

Refira-se também que quanto maior for a amostra, mais informação se obterá e mais consistentes serão os resultados, ou seja os erros de teste às hipóteses são reduzidos e as respostas mais consistentes.

Pode-se dizer que amostragem se refere ao estudo de relações existentes entre a população e as amostras dela extraídas. Estas técnicas ou métodos podem ser de natureza aleatória (probabilística) ou não aleatória (não probabilística).

A amostragem probabilística permite generalizar conclusões para a população de onde foi extraída a amostra enquanto que na amostragem não probabilística estas conclusões devem ser consideradas apenas válidas para o estudo sobre o qual esta se realizou.

Nos métodos de amostragem não probabilísticos e porque não requerem um conhecimento de características comportamentais ou padrões da população, são os mais utilizados nos estudos em gel e podem-se agrupar (e dependendo de algumas nuances de terminologia) em:

 

  • Método das quotas (ou por fases)
  • Método de amostragem intencional ( indivíduos-tipo; snowball)
  • Métodos de amostragem por conveniência
  • Métodos por itenerários aleatórios.

Métodos Qualitativos

Segundo Leedy (1993), as metodologias qualitativas podem ser consideradas como aproximações ou abordagens “warm” a um problema central porque, em parte, estão relacionadas com estudos humanos. O investigador tenta uma aproximação de um ponto de vista racional, mas indutivo. Esta metodologia é pouco experimental, em contraste com a quantitativa.

Os estudos qualitativos podem ser feitos de vários modos, onde se inclui as questões abertas de um questionário ou entrevista, a observação em campo, entre outros.

Metodos Quantitativos e Qualitativos

 Os métodos quantitativo e qualitativo não se excluem ou são opostos, mas complementam-se num processo de investigação pelas suas potencialidades e debilidades. Ao contrário do método qualitativo, o método quantitativo é mais específico pelas recolhas, tratamento e análise dos dados em estudo, é mais experimental. Deve ser tido em conta que estatisticamente até os dados de análise qualitativa podem ser tratados quantitativamente.

 

 

Por não existir um método considerado ideal, pois todos têm implícitas desvantagens, deve o investigador antes de fazer a sua opção, realizar face ao que dispõe e ao que pretende analisar, o método que melhor se ajuste.

Ainda relativamente a métodos de recolha de dados podem destacar-se o Extensivo (método de medida, quantitativo) e o Intensivo (estudo de casos e mais de abordagem qualititativa).

Recolha de várias fontes e técnicas:

 

 

a) Técnica de questionário:

Deixo aqui mais umas considerações, sobre este tema.

Nas técnicas de recolhas de dados não documentais sem observação directa podem ser utilizados testes, entrevistas e inquéritos por questionário.

Algumas vantagens do questionário:

 

  •  Possibilita a recolha de informações sobre um grande número de indivíduos
  •  Permite comparar as respostas dos inquiridos
  •  Possibilita generalizar os resultados da amostra para a totalidade da população.
  •  Algumas Desvantagens:
  • Os dados recolhidos podem ser superficiais. As perguntas padronizadas podem não permitir captar diferenças de opinião entre os inquiridos
  •  As respostas podem representar o que as pessoas dizem que pensam do que o que efectivamente pensam
  •  Forma de aplicação pode prejudicar os resultados
  •  Formulação das questões requer rigor (forma, linguagem, vocabulário…)
  •  Técnica que pode implicar custos elevados.

 Há diversos tipos de questões passíveis de serem utilizadas em questionário (aberta ou de desenvolvimento, fechada (resposta única ou múltipla), mista), mas estas terão de ser alvo de construção cuidadosa e mesmo avaliação prévia. Assim um boa questão :

 

  •  não deve influenciar as respostas
  •  não deve conduzir a resposta inexacta ou desenquadrada
  •  nas perguntas fechadas, deve conduzir exactamente às respostas disponíveis ou possíveis
  •  deve estar redigida de forma compreensível de acordo com as características do público alvo
  •  não suscitar preconceitos ou juízos de valor
  •  deve evitar ser indiscreta, constrangedora ou atingir susceptibilidades
  •  deve ser objectiva face ao propósito do questionário
  •  não deve implicar grandes raciocínios ou reflexões.

Devem ainda ser evitadas perguntas que apresentem muitas ideias, sejam persuasivas ou indefinidas.

A estrutura de um questionário deve ser a seguinte:

 

  • Instruções de preenchimento
  • Introdução ao questionário
  • Perguntas (podem estar distribuídas por secções).

Ainda e de acordo com os objectivos e as características da amostra, devem ser considerados o número de perguntas e a sua ordem.

(ver análise de tese com uso de questionário)

b) Técnica de entrevista:

 Caracterização das entrevistas quanto ao número de sujeitos inquiridos:

- Individual se o objectivo é recolher informação sobre o entrevistado, pode não seguir uma estrutura rígida

- Grupo se o objectivo é recolher informação de vários participantes e características comuns

 Modo como se podem diferenciar as entrevistas relativamente aos temas em análise:

Directiva – guião da entrevista é rígido, a ordem das perguntas respeita uma lógica

Semi-directiva- o entrevistador conhece os temas sobre os quais tem que  recolher informação, mas a ordem e a forma de questionar é livre

Não directiva – convida-se o entrevistado a organizar o seu discurso a partir de um tema proposto e o entrevistador só intervém para encorajar.

Como diferenciar as entrevistas quanto à estruturação:

Estruturada – obedece a estruturação prévia para a sua concretização. Obedece a uma ordem rígida” 

Semi-estruturada – o objectivo é a obter dados, obtidos de diferentes entrevistados, passíveis de comparar . Pode haver flexibilidade na ordem 

Não estruturada – as questões são colocadas de acordo com o decorrer da conversa. Não existe ordem predefinida

Como construir um guião para uma entrevista:

 

  1. Caracterização dos entrevistados (idade, escolaridade, localidade,…)
  2. Selecção da população e da amostra alvo
  3. Definição da temática e dos objectivos da entrevista
  4. Estabelecimento do meio de comunicação (oral, escrito,telefone, e-mail, etc), espaço onde decorre a entrevista e do tempo
  5. Descriminação das características e perguntas do guião
  6. Produção e aspecto gráfico do guião
  7. Validação da entrevista pela análise critica, por outros indivíduos de relevo

 



Referências:

 Cohen, L., Manion, L., & Morrison, K. (2000) (5 th Edition), Research Methods in Education, London: Routledge Falmer

 Pereira, A. (n/d) Investigação e Métodos Quantitativos.ppt. Universidade Aberta

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Question%C3%A1rio (consultado em Novembro de 2010)
http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/590/24/CAP%C3%8DTULO%203-bd-m.pdf (consultado em Novembro de 2010)